O teu tempo passa.
Ou semeia-se?
Uma carta por mês, no teu correio.
Lá dentro: arte, música, literatura e uma provocação — uma semente para o teu tempo.
Tempo para pensar, criar, partilhar e ver o que cresce.
Três coisas. Para mexer no tempo.
Revolver a terra
Antes de semear, há sempre qualquer coisa que é preciso mexer. Uma obra que alguém plantou antes de nós. Três ou quatro canções que ainda estão a tentar perceber este tempo onde crescem. E uma pergunta — daquelas que entram pequenas e já não saem exatamente como entraram.
Não para aprender uma lição.
Nem para chegar depressa a uma conclusão.
Só para desarrumar um pouco o que parecia arrumado.
Há perguntas que fazem melhor à terra do que respostas.
Olhar para o mês antes que ele passe por ti
Trinta dias, mais ou menos. Ainda sem reuniões, sem atrasos, sem coisas riscadas. O mês inteiro à tua frente, como um pedaço de terra que ainda não decidiu o que vai ser. Não é um calendário para fazer caber mais coisas — é para reparar no espaço que ainda existe entre elas.
Onde vais pôr o teu tempo desta vez?
Semear o teu tempo
Uma obra de arte. Um postal quase vazio. E um selo. O resto só tu sabes.
Podes escrever ao teu futuro. A alguém de quem tens saudades antes de teres coragem de dizer que tens. Ou a uma pessoa que talvez precise de encontrar qualquer coisa no correio que não seja uma conta.
Envia. Guarda. Ou devolve-nos: algumas palavras podem voltar a aparecer, sem nome, noutro lugar.
Uma semente também não sabe a flor que vai ser.
Uma temporada, quatro estações.
Porque também nós mudamos de estação.
Outono
voltar à terra — reparar no que caiu, reconhecer o que ficou, escolher o que já não precisamos de carregar.
Inverno
o atrito — ficar perto do incómodo, fazer perguntas difíceis, perceber o que a pressão está a tentar mudar.
Nem toda a dor ensina. E nenhuma pérola justifica a ferida. Mas há coisas que só começam a mexer quando deixam de estar confortáveis.
Primavera
romper a terra — tentar outra vez, arriscar cor, deixar nascer qualquer coisa sem exigir que venha perfeita.
Não voltamos ao princípio. Crescemos a partir do sítio onde o inverno nos deixou.
Verão
dar fruto — ocupar espaço, celebrar, partilhar o que cresceu, e perceber o que merece continuar.
Porque crescer não é o fim da história. Uma planta dá flor. A flor dá semente. E alguma coisa que começou em ti pode agora começar noutro lugar.
Sementes do Tempo dura uma temporada inteira. De setembro a agosto, uma carta por mês — 11€ por mês, pagos no início da tua temporada. Chegaste depois de setembro? Entras na estação em que estivermos e pagas apenas os meses que faltam.
Quando setembro voltar, voltamos também à pergunta: o que queremos semear desta vez?
Acreditamos que o quotidiano não é o contrário do profundo.
É onde ele começa.
Uma carta não muda uma vida.
Mas uma pergunta certa, num mês certo, quando as mãos andam ocupadas com tudo o resto, pode mudar uma tarde.
Fazer-nos parar onde íamos passar depressa.
Olhar outra vez para uma coisa que já dávamos por certa.
Telefonar a alguém.
Dizer que não.
Ou finalmente dizer que sim.
Parece pouco. Mas as tardes somam-se. E é assim, devagar, que se semeia o fazer diferente.
50 lugares fundadores. Nem mais um.
- Uma decisão por ano. Pagas uma vez. Depois, durante doze meses, só tens de ir ver o correio.
- 12 cartas. De setembro a agosto. Uma por mês, para abrir devagar e deixar ficar.
- O preço com que entras é o preço com que ficas. Enquanto renovares a tua temporada, manténs o preço fundador.
- Estavas cá no princípio. O teu nome fica ligado à primeira temporada de Sementes do Tempo.
- A primeira temporada só nasce se houver pessoas suficientes para a fazer acontecer. Se não atingirmos o mínimo, devolvemos o valor integralmente.
Demora pouco. Abre-se uma mensagem, escreves “quero um lugar” e confirmamos a tua entrada. Os lugares fundadores são atribuídos por ordem de chegada.
sem letras pequeninas — pagas a temporada no início · tens 14 dias para mudar de ideias · depois disso, se a temporada deixar de ser para ti, podes passar os meses que faltam a outra pessoa. Porque até um lugar pode continuar a sua viagem.
Perguntas que nos fazem
Não sei desenhar nem escrever bem — isto é para mim?
É.
Não há uma maneira certa de fazer isto. O postal pode seguir para alguém, ficar colado num caderno ou nunca sair da gaveta.
Não tens de produzir nada bonito. Nem sequer tens de produzir alguma coisa.
Se uma pergunta ficar contigo mais tempo do que esperavas, o mês já contou.
Quando chega a carta?
Na primeira semana de cada mês, pelo correio normal.
É fina de propósito: cabe na caixa do correio e não precisa que estejas em casa à espera dela.
Chega quando chegar. Como quase tudo o que vale a pena guardar.
Posso oferecer a temporada a alguém?
Sim.
E, na verdade, gostamos especialmente dessa ideia.
Dizes-nos para quem vai e a morada onde deve chegar. O resto fica connosco.
E se eu entrar a meio do ano?
Entras onde o ano estiver.
Pagas apenas os meses que faltam até agosto — 11€ por cada mês restante.
Em setembro começa uma nova temporada.
Porque é que se paga a temporada inteira?
Porque pensamos e produzimos isto como uma temporada, não como doze compras por impulso.
O valor equivale a 11€ por mês, mas é pago de uma vez no início.
Uma decisão por ano pareceu-nos mais leve do que doze.
Tens 14 dias para mudar de ideias. Depois disso, se já não fizer sentido para ti, podes passar os meses que faltam a outra pessoa.
Posso cancelar?
Nos primeiros 14 dias após a compra, podes desistir e receber o valor de volta.
Depois disso, o compromisso é com a temporada — mas ela é transferível.
Se deixar de ser para ti, pode continuar a ser para alguém.
De onde vem a música?
Daquilo que andamos a ouvir, a procurar e a querer pôr em conversa.
A curadoria é nossa e independente, com especial atenção à música portuguesa contemporânea.
Cada mês traz uma pequena playlist — três ou quatro canções — escolhida para conversar com a pergunta daquele mês.
Na página de cada edição podes descobrir as músicas e quem as fez. Começa pela de setembro.
E as obras de arte?
Nesta primeira temporada, olhamos para a arte portuguesa que veio antes de nós.
Amadeo de Souza-Cardoso, Aurélia de Sousa e outros artistas entram em conversa com as perguntas do presente.
Não estão ali para ilustrar o tema.
Estão ali porque, às vezes, uma obra com cem anos ainda sabe fazer uma pergunta nova.
Doze meses. Doze encontros.
Um pequeno museu português a chegar pelo correio.